28.08.2025

MPSC e SCClubes firmam parceria para implementar Protocolo "Não é Não" nos estádios catarinenses

Documento foi assinado no encerramento do Primeiro Encontro das Promotorias de Justiça com Atribuição na Violência contra as Mulheres, realizado nesta sexta-feira (28/8) como parte da programação do Agosto Lilás do MPSC
Post

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e a Associação de Clubes de Futebol Profissional de Santa Catarina (SCClubes) formalizaram, nesta sexta-feira (28/8), um termo de cooperação técnica para a implementação do Protocolo "Não é Não" nos estádios de futebol do estado. O documento foi assinado no Primeiro Encontro das Promotorias de Justiça com Atribuição na Violência contra as Mulheres, realizado nesta sexta-feira (28/8) como parte da programação do Agosto Lilás do MPSC.

A SCClubes foi representada pelo seu Vice-Presidente, Tarcísio Guedim. "É uma alegria estar aqui hoje para falar sobre algo fundamental: a importância de dizer o óbvio - o respeito às mulheres, especialmente no contexto do futebol. Por que o futebol? Porque ele é um reflexo da sociedade. Independentemente da classe social, todos reconhecem o papel central que o futebol desempenha em nossas vidas, e é justamente por isso que ele deve ser um exemplo de respeito e inclusão", defendeu.

Post

Segundo o dirigente, a Associação de Clubes já vinha discutindo formas de tornar os estádios cada vez mais acolhedores para mulheres e crianças. "O respeito não deve existir apenas dentro dos estádios, mas em toda a sociedade. O futebol pode e deve ser um agente transformador. A Associação de Clubes está comprometida com qualquer iniciativa que beneficie o futebol e a sociedade", completou.

A Procuradora-Geral de Justiça do MPSC, Vanessa Wendhausen Cavallazzi, deu continuidade: "Como disse o Vice-Presidente da SCClubes, o assédio não acontece apenas nos estádios, mas os estádios de futebol de Santa Catarina estão dando um exemplo ao dar o primeiro passo na criação de espaços seguros para nossas mulheres e nossas filhas".

Ela compartilhou com o público um dado que avalia como impactante: em 2024, Santa Catarina registrou 51 feminicídios. Embora o número tenha caído, ele se mantém estável desde 2020, girando em torno de 50 casos por ano. E o que considerou ainda mais grave: 90% dessas mulheres não registraram boletim de ocorrência. "Isso revela que muitas não conseguiram romper amarras pessoais, sociais e econômicas. Algumas temiam perder a família, algumas tinham vergonha das marcas, outras, medo ou falta de preparo para o mercado de trabalho, e mesmo quando conseguem romper essas barreiras e buscar ajuda enfrentam obstáculos", explicou.

Post

Os dados, segundo a PGJ, nos obrigam a refletir: "O que estamos fazendo como instituições para alcançar essas mulheres antes que seja tarde? Como Promotora criminal, sei que nos acostumamos a atuar dentro dos limites do processo, mas não venceremos a violência doméstica apenas com o Direito Penal. Precisamos ir além: organizar redes, mobilizar grupos reflexivos, impulsionar casas de acolhimento e capacitação profissional", constatou.

"A violência contra a mulher é um fenômeno estrutural e exige novas ferramentas, abordagens e estratégias. Todas as áreas do Ministério Público têm interseções com esse tema - da moralidade administrativa à infância, da saúde à educação", finalizou Vanessa Cavallazzi.

O termo de cooperação técnica

A iniciativa é resultado de um procedimento instaurado pelo Núcleo de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher em Razão do Gênero (NEAVID), do MPSC, em julho deste ano com o objetivo de fiscalizar a implementação do Protocolo "Não é Não" em ambientes de entretenimento e eventos esportivos no estado. "A medida visa garantir que os espaços de lazer adotassem práticas efetivas de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher, e que agora se expande efetivamente para os estádios de futebol", completou a Coordenadora-Geral do NEAVID, Promotora de Justiça Chimelly Louise de Resenes Marcon.

O termo de cooperação técnica tem por base a Lei Federal n. 14.786/2023, que institui o protocolo como instrumento de prevenção e resposta rápida a casos de assédio e violência contra mulheres nesses espaços. O documento estabelece obrigações a seus signatários, com o objetivo comum de garantir acolhimento às mulheres em situação de violência nos estádios de futebol, ao estabelecer diretrizes claras para o atendimento respeitoso, ágil e humanizado. Veja como cada um contribuirá.

MPSC

O Ministério Público se compromete com ações estruturantes e educativas, como as seguintes:

  • Capacitação: disponibilização de curso EaD assíncrono para colaboradores indicados pelos clubes, abordando diretrizes normativas, competências institucionais, fluxograma do protocolo e técnicas de acolhimento humanizado.
  • Comunicação: elaboração de plano estratégico de comunicação institucional, em cooperação técnica com órgão designado, para ampla divulgação do protocolo.
  • Fluxo de atendimento: estruturação de fluxograma de atendimento às vítimas, com definição de competências, canais de denúncia e medidas de proteção.
  • Material educativo: produção e distribuição de conteúdos informativos voltados ao corpo funcional dos clubes, promovendo boas práticas e padronização de condutas.

SCClubes

A Associação de Clubes assume, em nome dos clubes de futebol profissional, responsabilidades voltadas à operacionalização do protocolo nos estádios:

  • Ponto focal: identificação visual de colaborador capacitado como referência institucional para atendimento imediato e humanizado.
  • Capacitação continuada: implementação de programa de formação progressiva para colaboradores que atuam com o público.
  • Informação acessível: instalação de QR Codes com informações sobre o protocolo em locais visíveis de cada setor do estádio.
  • Cartazes informativos: afixação de orientações nos sanitários femininos sobre canais de denúncia e medidas de proteção.
  • Espaço de acolhimento: destinação de área segura e sinalizada para atendimento sigiloso às vítimas.
  • Adesão simbólica: incentivo ao uso de braçadeiras lilás por jogadores, comissão técnica e arbitragem, além de coletes lilás por gandulas, durante cada mês de agosto.



Fonte: 
Coordenadoria de Comunicação Social do MPSC
Institucional
MPSC amplia parceria com entidades esportivas e fortalece acolhimento a vítimas de violência no esporte
Institucional
PGJ apresenta balanço da gestão e perspectivas para o futuro durante o 38º Encontro Estadual do MPSC
Violência contra as mulheres
NEAVIT Joinville realiza ação de orientação sobre violência doméstica em comunidade pesqueira do Morro do Amaral
Criminal
Homem denunciado pelo MPSC por matar o próprio pai é condenado em São João Batista
Criminal
Tribunal do Júri condena homem a mais de 23 anos de prisão por homicídio em lanchonete em Florianópolis
Moralidade Administrativa
Ação do MPSC aponta direcionamento de licitação e prejuízo de R$ 1,1 milhão aos cofres públicos em contrato do Samae de Blumenau