Enfermeiro é denunciado por fornecer celulares a integrantes de facções criminosas em presídio de SC

Investigação, da 39ª Promotoria de Justiça da Capital, aponta que profissional usava o acesso ao setor de saúde de unidade prisional em Chapecó para entregar eletrônicos a detentos ligados a duas facções criminosas rivais.  

22.09.2026 15:54
Publicado em : 
22/09/26 15:54

Um enfermeiro foi denunciado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), nesta terça-feira (22/9), por favorecer a atuação de integrantes de duas facções criminosas rivais dentro de uma unidade prisional de Chapecó. Segundo a investigação, oferecida pela 39ª Promotoria de Justiça da Capital, especializada no combate às organizações criminosas, ele teria utilizado sua função e o acesso ao setor de saúde para introduzir clandestinamente celulares, chips, carregadores, smartwatches e outros equipamentos eletrônicos destinados a presos. 

No âmbito do Procedimento Investigatório Criminal, conduzido pela 39ª Promotoria de Justiça, o profissional já havia sido alvo da Operação Cura, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) em agosto deste ano para apurar o suposto esquema. Ele segue preso preventivamente.  

Conforme a denúncia, a investigação teve início após integrantes desses grupos firmarem acordos de colaboração premiada e relatarem a suposta participação do profissional no esquema. 

As informações deram origem aos procedimentos investigatórios que identificaram a atuação do enfermeiro entre abril e agosto de 2026. Nesse período, segundo o MPSC, ele teria atendido, de forma independente, pedidos de integrantes de organizações criminosas rivais, facilitando a entrada de equipamentos de comunicação no sistema prisional. 

Bilhetes detalhavam encomendas e pagamentos 

Um dos principais elementos reunidos pelos investigadores foi a apreensão de diversos manuscritos atribuídos a presos. Nos bilhetes, detentos pediam celulares com acesso ao WhatsApp, chips de diferentes operadoras, carregadores e outros acessórios, além de indicarem formas para a entrega dos materiais dentro das unidades prisionais. 

Segundo a denúncia, algumas mensagens traziam instruções detalhadas sobre como os equipamentos deveriam ser levados para dentro do presídio, sugerindo que fossem escondidos junto a medicamentos ou entregues durante atendimentos de saúde. Há ainda referências a pagamentos que chegariam a R$ 10 mil por remessa de aparelhos eletrônicos.  

Em um dos recados, o autor orienta que o enfermeiro chamasse determinado preso para atendimento médico e aproveitasse o momento para realizar a entrega dos celulares. Em outro, um detento menciona que os envelopes transportados pelo profissional chegariam lacrados aos destinatários, o que reduziria o risco de fiscalização. 

A investigação também identificou mensagens nas quais presos demonstravam preocupação com possíveis denúncias sobre o esquema. Em um dos bilhetes, um detento tenta tranquilizar o profissional e afirma que ele já havia ajudado diversas vezes não apenas com eletrônicos, mas também por meio de atendimentos realizados na área da saúde.

Busca encontrou celulares, chips e smartwatches 

Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão na residência do investigado, foram encontrados três celulares, cinco smartwatches, carregadores, placas eletrônicas e diversos cartões SIM de telefonia móvel. Conforme a denúncia, os equipamentos eram novos e não apresentavam sinais de uso. 

Para os investigadores, a quantidade e as características dos materiais acentuam a suspeita de que os itens seriam destinados ao fornecimento clandestino dentro do sistema prisional. 

Além dos equipamentos, foram recolhidos manuscritos que continham pedidos e orientações de presos para a aquisição e entrega de eletrônicos. A análise desse material levou os investigadores à conclusão de que a suposta atuação não estaria restrita a apenas uma facção criminosa. 

Contatos externos também são citados 

A denúncia relata ainda que alguns bilhetes orientavam o enfermeiro a procurar familiares ou pessoas ligadas aos presos fora das unidades prisionais para combinar a entrega dos equipamentos e o pagamento dos valores acertados. 

Segundo o documento, esse conjunto de elementos indicaria a existência de uma relação de confiança entre o investigado e determinados detentos, permitindo a manutenção de um canal de comunicação entre presos e pessoas que estavam fora das unidades. 

39ª Promotoria de Justiça da Capital  

Com atuação em todo o estado, a 39ª Promotoria de Justiça da Capital é responsável por investigar e processar crimes relacionados a organizações criminosas perante a Vara Estadual de Organizações Criminosas. A estrutura especializada conta com cinco Promotores de Justiça e foi criada para fortalecer o combate ao crime organizado com mais inteligência, agilidade e efetividade. 

GAECO  

O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) é uma força-tarefa integrada pelo Ministério Público de Santa Catarina, Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal, Receita Estadual e Corpo de Bombeiros Militar, com a finalidade de identificar, prevenir e reprimir a atuação de organizações criminosas no Estado de Santa Catarina. 

Fonte: 
Coordenadoria de Comunicação Social